Dr. Marcos da Cunha Sales Filho
Clínica Geral · Saúde Metabólica · Manejo de Peso
Orientação de fim de tratamento · Tirzepatida

O fim de uma etapa — e o começo da que sustenta tudo

a meta foi alcançada; agora vamos retirar a medicação com calma e firmar o peso pelos hábitos
Carla Aparecida Dantas
Acompanhamento de manejo de peso · documento emitido em 23/06/2026

Carla, você fez o mais difícil — e fez bonito. Agora a missão muda: não é mais perder, é manter. E essa fase tem segredo.

Em cerca de seis meses, com a tirzepatida segurando a fome e você fazendo a sua parte, o ponteiro da balança andou para o lugar certo. Chegamos no peso-meta — e isso significa que entramos na reta de saída da medicação. Este documento reúne, em linguagem clara, tudo o que conversamos: o que você conquistou, como vamos fazer a retirada gradual (desmame) a partir do mês que vem, como segurar o peso sem a caneta e por que o exercício passa a ser o personagem principal daqui pra frente. Guarde-o — vamos voltar a ele.

O que você conquistou

Não são números para enfeitar — são a fotografia de uma mudança real de saúde. Vale reler isto sempre que a motivação oscilar.

Peso
85 → 64 kg
−21 kg em ~6 meses
IMC
32 → 24
de obesidade a peso normal
Início do tratamento
08/01/26
tirzepatida semanal
O que isso quer dizer, na prática

Sair da faixa de obesidade para o peso normal alivia tudo de uma vez: o açúcar no sangue, a pressão, a sobrecarga das articulações, o risco cardiovascular dos próximos anos. O corpo inteiro respira melhor. O trabalho agora é não devolver esse ganho — e isso se decide nos próximos meses.

Por que vamos retirar a medicação — e como

Você atingiu a meta, então a tirzepatida cumpriu o papel dela. Não se interrompe de qualquer jeito: o corpo se acostumou ao sinal de saciedade da medicação, e parar de uma vez costuma trazer a fome de volta com força. Por isso fazemos um desmame em degraus — reduzindo a dose aos poucos para o seu apetite reaprender a se regular sozinho. Você já começou: saímos de 5 mg para 3,75 mg. O plano a partir de julho é:

3,75 mg
Junho — onde você está. Última fase nesta dose, já em redução. Aproveite para firmar a rotina de comida e treino.
2,5 mg
Julho. Descemos mais um degrau. Atenção à fome e ao tamanho das porções — é o corpo reassumindo o volante.
1,25 mg
Agosto. Dose mínima de transição (pode ser espaçada, a cada 10–14 dias). Quase no fim.
Sem dose
Setembro. Manutenção pelos hábitos. A medicação sai de cena — quem segura o peso agora é a sua rotina.
Rede de segurança

O desmame não é uma régua rígida. Se em algum degrau a fome voltar muito forte ou o peso começar a subir, a gente pausa naquela dose ou volta um passo, sem drama — o objetivo é descer com você firme, não a qualquer custo. Pese-se uma vez por semana, sempre no mesmo dia, e me avise se subir mais de 2–3 kg. Estou a uma mensagem de distância.

A verdade honesta — por que a próxima etapa importa tanto

Os estudos são claros num ponto: quem para a medicação sem ter firmado novos hábitos recupera boa parte do peso em um ano. A leitura certa não é “então não adianta” — é o contrário: estes próximos meses são a janela de ouro para fixar comida de verdade e treino, enquanto o apetite ainda está calmo. É isso que transforma seis meses de esforço num novo patamar que se sustenta sozinho.

Manutenção de peso — a fase que decide tudo

Manter não é “fazer dieta para sempre”. É manter de pé alguns pilares simples — cada um conversa com os outros, e nenhum é heroico:

Proteína em toda refeição Água — 2 a 3 L/dia Comida de verdade, porção definida Pesar 1×/semana Movimento 4–5×/semana Registro no app

Proteína é a âncora

Com a fome ainda baixa, o risco é comer de menos e perder músculo — e músculo é exatamente o que mantém o metabolismo alto e segura o peso. Por isso: proteína em toda refeição, começando pela manhã (ovos, queijo, iogurte, frango, carne, peixe), mesmo sem muita vontade. É o nutriente mais importante desta fase.

A balança como amiga, não como juíza

Pese-se uma vez por semana, em jejum, mesmo dia. Não é para se cobrar — é o seu painel: enquanto o número fica numa faixa de 2–3 kg, está tudo certo. Se começar a subir de forma consistente, a gente conversa cedo, antes de virar bola de neve.

Fique perto nesta fase

Eu sei que acompanhar de perto nem sempre foi fácil na correria. Mas é justamente agora, na saída da medicação, que estar em contato faz a maior diferença. Um retorno por mês nos próximos meses vale ouro — é barato, rápido, e segura o resultado que você já conquistou.

Exercício — agora é o pilar central

Enquanto a medicação fazia o trabalho pesado, o exercício era um reforço. Daqui pra frente ele vira o protagonista. É o que substitui a caneta na hora de proteger o peso — porque constrói e preserva músculo, acelera o metabolismo e melhora humor, sono e açúcar de quebra.

Força — 3× por semana

É a parte que mais importa para não recuperar peso. Musculação, elásticos, peso do corpo — qualquer formato serve, desde que desafie o músculo. Depois de uma perda de peso grande, treinar força é o que devolve firmeza e segura o metabolismo. Comece leve e progrida.

Aeróbico — 2× por semana

Caminhada puxada, bicicleta, dança, esteira. Cuida do coração, queima energia e cabe na rotina. Vinte a trinta minutos já contam — o melhor exercício é o que você consegue manter.

Comece pequeno, mas comece

Não precisa virar atleta de uma vez. Precisa começar e repetir. O app de acompanhamento te ajuda a fechar os anéis da semana — três de força, dois de aeróbico — e a transformar “intenção” em hábito.

Sobre a sua queda de cabelo

Aquele aumento de fios no travesseiro e no ralo tem nome e tem explicação: eflúvio telógeno. Ele acontece muito depois de uma perda de peso rápida — não é a tirzepatida “fazendo mal”, e não é doença do couro cabeludo. O corpo, diante de uma mudança grande e de menos comida, coloca temporariamente mais fios em fase de repouso, que caem algumas semanas depois.

A boa notícia

É quase sempre temporário e reversível. Conforme o peso estabiliza e a alimentação fica bem nutrida, o ciclo se normaliza e os fios voltam a crescer — costuma melhorar em alguns meses. O melhor remédio é o que já estamos fazendo: proteína suficiente e bons micronutrientes.

A fórmula capilar que preparei para você

Para apoiar esse processo, montei a fórmula manipulada de Trofismo Capilar: L-cistina (a matéria-prima da queratina), biotina, zinco, silício (Exsynutriment) e MSM. 1 dose pela manhã, junto ao café. A receita vai junto, pronta para a farmácia.

Atenção: a biotina em dose alta atrapalha alguns exames de sangue — suspenda a fórmula 72 horas antes de qualquer coleta (principalmente tireoide, vitamina D e B12).

Exames de controle — vamos confirmar o ganho

A balança melhorou; agora queremos ver o interior acompanhar. No início do tratamento, alguns marcadores estavam altos — vale recolher para confirmar que a perda de peso fez o serviço (e ajustar o que ainda precisar):

1
Perfil lipídico (colesterol total, LDL, HDL, triglicérides) — estavam elevados no início; este é o exame-chave a refazer.
2
Glicemia de jejum e HbA1c — para confirmar a melhora do açúcar.
3
Ferritina, ferro, zinco, vitamina B12, ácido fólico e vitamina D — apoiam o cabelo e a energia; repõem-se facilmente se vierem baixos.
4
TSH e T4 livre — função da tireoide. Lembre de pausar a fórmula capilar 72 h antes da coleta.

Seus próximos passos

1
Fazer os exames de controle — é como confirmamos que a conquista é também por dentro.
2
Seguir o desmame — 2,5 mg em julho, 1,25 mg em agosto, sem dose em setembro, sempre com a rede de segurança.
3
Proteína em toda refeição + água — o básico que sustenta peso, músculo e cabelo.
4
Treinar — 3× força e 2× aeróbico por semana, começando leve. Este é o novo protagonista.
5
Tomar a fórmula capilar — 1 dose pela manhã, junto ao café.
6
Pesar 1×/semana e voltar 1×/mês — ficar perto agora é o que segura tudo. Qualquer subida de 2–3 kg, me chame.
O peso não se perde — nem se mantém — num gesto grandioso.
Ele cede e se firma no gesto pequeno e repetido: a refeição cuidada, o treino feito, a noite dormida.
Você já provou que sabe fazer isso. Agora é só continuar — sem a caneta, com a sua própria rotina.
O corpo escuta a constância. E responde na mesma língua.